Sou modernista! Afirmava António Soares em 1914 ao recusar expor no I Salão dos Humoristas
Juntou-se a esse grupo no II Salão mas manteve-se modernista convicto e ativo pelo menos até aos anos 1930. Foi precisamente entre essas datas que produziu grande parte das suas obras para palco, precisamente quando o teatro em Portugal sofreu uma profunda transformação, em particular na visualidade. António Soares foi um dos mais destacados artistas plásticos a protagonizar essa transformação
A exposição Entre-acto modernista: o teatro e a dança na obra de António Soares apresenta 158 obras das mais importantes que António Soares realizou para os palcos, para teatro e para dança. As obras expostas incluem maquetas de cenário, figurinos, retratos, cartazes e desenhos e todos estão relacionados com teatro ou com dança. Destacam-se peças como o cartaz para o Teatro Apolo, uma das primeiras realizações de António Soares para os palcos, o telão do baile das artes de 1930, em reprodução e uma série de estudos de dança para a decoração do clube Bristol, um dos clubes elegantes da Lisboa dos anos 1920. Nos retratos destacam-se o do bailarino Francis Graça, da mulher do pintor, Maria Germana, também ela bailarina e o retrato doutra bailarina, a exótica Lea Niako que fez furor nos palcos lisboetas dos anos 1920 exibindo a sua nudez.
A obra de António Soares, em grande parte desconhecida, merece um olhar atento, muito particularmente relativamente aos trabalhos realizados nas décadas de 1910 e 1920, quando aquele pintor era um dos mais destacados paladinos do movimento modernista, participando ativamente em diversas iniciativas relevantes, realizando várias exposições, individuais e coletivas e marcando os palcos com criações que contribuíram para uma renovação visual atualizada do espetáculo teatral.