A cenografia tem origem, tal como a etimologia da própria palavra, na Grécia Antiga, sendo, primeiro, entendida apenas como a arte de adornar e decorar o teatro, evoluindo, depois, para uma definição mais abrangente e mais actual como a arte de conceber e projectar cenários para um espectáculo. É curioso verificar também que o conceito de cenografia é utilizado, a partir do Renascimento, como a arte de pintar em perspectiva.

De facto, até ao séc. XIX a cenografia (e o trajo de cena, como já foi visto) permaneceu, nos teatros mais importantes ou naqueles que deixaram história, nas mãos de um misto entre decoradores especializados e arquitectos cuja criação artística consistia num seguidismo fiel às normas estabelecidas desde o séc. XVI, isto é, todo o seu trabalho era condicionado por uma ordenação regulada da perspectiva, destinada a criar um espaço que reproduzisse uma ilusão do real. É a fase em que o cenário (que é aquilo que a cenografia até aí produz) se situa ou é limitado por um espaço a duas dimensões, materializado pelo telão pintado. A partir do início do séc. XX, com a reacção à estética naturalista que fazia do cenário e do ambiente que envolvia a representação teatral uma réplica mimética e passiva da realidade, a cenografia passa a ter uma nova função ou intervenção na construção do espectáculo, passando a ser entendida como uma espécie de escrita do e no espaço em três dimensões, estabelecendo um jogo de correspondências e proporções entre o espaço de representação e o espaço do texto propriamente dito. Passa-se, assim (uma vez mais), a uma concepção global ou total da encenação ou, como escreveu Appia, “a arte da encenação é a arte de projectar no Espaço aquilo que o dramaturgo só pôde projectar no Tempo”; a cenografia deixa, então, de ter como elemento obrigatório e dominante o telão pintado de antigamente, transformando-se, nas suas práticas contemporâneas, num elemento dinâmico, multifuncional e multidisciplinar da arte da totalidade que é a representação teatral.

De referir, também, que a cenografia é, de todas as técnicas e saberes que intervêm nas artes do espectáculo do nosso tempo, aquela que mais e melhor tem aproveitado a exponencial evolução das novas tecnologias, propondo assim novos desafios para um Museu com estas características, acrescentando à fatalidade efémera do espectáculo a realidade virtual (por condição, também efémera) da criação electrónica ou digital de ambientes e espaços em substituição da realidade material do telão, dos cenários e respectivos adereços. 


 Pormenor de maquete de cenário não identificado, 1926. Autoria de Augusto Pina.Pormenor de maquete de cenário para  o espectáculo 'D. Francisco Manuel', Teatro República, 1914.  Autoria de Augusto PinaPormenor de maquete de cenário para o bailado 'Nazaré', Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio, Teatro Nacional de S. Carlos, 1948.  Autoria de Eduardo AnahoryPormenor de maquete de cenário para a revista 'Pernas ao léu', Teatro Variedades, 1935.  Autoria de Jorge BarradasPormenor de maquete  de cenário 3D para a ópera 'O amigo Fritz', 1971.  Autoria de Fernando FilipePormenor de maquete de cenário para 'O último acto', Teatro-Estúdio de Lisboa, 1985.  Autoria de Fernando FilipePormenor de maquete de cenário para 'O homem do cravo na boca', autoria de B. Marques, Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio, 1940


Em Portugal, até à ruptura com a estética (e técnica) naturalista, no início do séc. XX, a história e a evolução da cenografia passa por quatro momentos determinantes: o Teatro da Companhia de Jesus, eminentemente religioso e com objectivos de catequese, que introduz no nosso país, no final do séc. XVI, a cenografia perspectivada; a vinda, durante os reinados de D. João V e D. José, de grandes arquitectos e cenógrafos italianos ou os estudos e os contactos na Europa de arquitectos/cenógrafos portugueses, destacando-se, entre todos Giovani Carlo Bibiena, descendente de uma ilustre família de arquitectos/cenógrafos italianos (não só de teatro propriamente dito, mas da teatralização da vida social e privada, característica do período Barroco, em que tudo é pretexto para sumptuosas encenações), que vem para Portugal em 1752, sendo, primeiro, responsável pelo projecto do Teatro Régio de Salvaterra e por muitos dos equipamentos cénicos dos espectáculos de ópera que aí decorreram e, depois, pelo Teatro Real da Ópera ou Ópera do Tejo, como ficou mais conhecido, o primeiro grande teatro edificado em Portugal, mas com uma vida muito breve – inaugurado em 31 de Março de 1755, foi destruído pelo terramoto de 1 de Novembro do mesmo ano. Este magnífico edifício, situado na actual Rua do Arsenal, considerado o maior, mais rico e mais esplendoroso teatro de toda a Europa daquele tempo, foi completamente arrasado pelos efeitos daquela catástrofe que se abateu sobre Lisboa, dele não restando praticamente quaisquer vestígios, suficientemente significativos para documentar com alguma exactidão a sua curtíssima existência.

Bibiena, que morre em Lisboa em 1760, já com a nacionalidade portuguesa, desenhou também para este teatro cenários para diversas óperas. Dele restam a magnífica colecção de desenhos para arquitectura e cenografia existente no Museu Nacional de Arte Antiga e a Igreja da Memória, por si projectada. Um terceiro momento tem a ver com a vinda para o nosso país, por volta de 1840, de dois artistas arquitectos/decoradores/cenógrafos, o francês Rambois e o italiano Cinatti, (autores do projecto arquitectónico da nova ala do Mosteiro dos Jerónimos, onde hoje se encontra instalado o Museu Nacional de Arqueologia) que, durante quase quatro décadas, desde a estreia do “Frei Luís de Sousa”, para quem cenografam bem ao gosto romântico, até às dezenas de cenários que conceberam e pintaram para os Teatros de S. Carlos e D. Maria II (cujo pano de boca de cena primitivo era da sua autoria), deram à cenografia em Portugal, pela qualidade do seu trabalho, um novo fôlego, preparando-a para as exigências da estética naturalista que, entretanto, se aproximava. Por último, a história da cenografia em Portugal até ao final do séc. XIX fica também definitivamente marcada por um outro artista italiano, Luigi Manini, já com uma interessante carreira de cenógrafo no seu país, e que vem para Portugal em 1879, para o Teatro de S. Carlos, substituindo exactamente Rambois e Cinatti. Artista inovador, participa no movimento de renovação do teatro português iniciado pela Companhia Rosas & Brasão, para quem trabalha como cenógrafo desde a sua estreia em 1880. Caracterizado pelo seu rigor formal e por combinações cromáticas de grande espectacularidade, criador de ambientes realistas por excelência, Manini deixou-nos também algumas obras notáveis de arquitectura como o Palácio do Buçaco ou o Palácio da Quinta da Regaleira , em Sintra. Abandona Portugal em 1913.

A colecção de cenografia deste Museu, com cerca de 2.100 peças, é maioritariamente constituída por maquetas ou projectos de cenários executados em desenho em superfície plana a duas dimensões, coloridos a aguarela, guache ou outros materiais e técnicas, numa escala substancialmente reduzida em relação à execução final, que pode corresponder a uma simples ampliação para telão, ou a uma reprodução a três dimensões, no espaço da acção teatral, do projecto inicial. Um outro núcleo, bastante mais reduzido mas não de menor interesse artístico e teatral, é constituído por maquetas em três dimensões, nas quais todo o projecto final da cenografia e dos respectivos adereços é integralmente reproduzido, a uma escala também substancialmente menor. 


                                    Pormenor de telão para cenário da ópera 'Carmen',  Teatro Nacional de São Carlos, [s.d.].  Autoria de Luigi ManiniPormenor de telão para cenário da ópera 'Roberto o Diabo', Teatro Nacional de São Carlos, [s.d.].  Autoria de Luigi Manini.Pormenor de telão para cenário da ópera 'Aida', Teatro Nacional de São Carlos, [s.d.].  Autoria de Luigi Manini

Em relação ao primeiro núcleo, são de Luigi Manini (1848-1936) os projectos para cenário mais antigos integrados nesta colecção, curiosamente todos para Shakespeare, dois para o “Othelo” e um para o “Hamlet”, levados à cena pela Companhia Rosas & Brasão em, respectivamente, 1883 e 1885. Trata-se de aguarelas sobre papel, datadas, assinadas e de grande beleza plástica. São atribuídos também ao génio criador deste notável artista uma parte dos telões do final do séc. XIX e início do XX, executados para o Teatro de S. Carlos e que se encontram actualmente nas reservas deste Museu. São peças de grandes dimensões em lona pintada à mão, em média com cerca de 12,5 m. por 14 m., destinados a serem utilizados como cenários de diversas óperas apresentadas naquele Teatro, muitos deles em mau estado ou com os materiais já muito fragilizados pela acção do tempo, tornando-se impraticável a sua exibição pública. Por se tratar de um conjunto único no nosso país e raro em todo o mundo estão, no entanto, todos fotografados.
Luigi Manini deixou alguns discípulos e continuadores dos quais o mais interessante é, sem qualquer dúvida Augusto Pina (1872-1938), de quem já se falou a propósito da colecção de Figurinos e que substitui o mestre, a partir de 1894, na Companhia Rosas & Brasão. Professor no Conservatório Nacional, pintor naturalista de grandes qualidades e cenógrafo da mesma corrente estética, trabalha sobretudo em aguarela, estando representado nesta colecção através de alguns trabalhos que o aproximam muito do rigor formal e dos ambientes criados por Manini.

De Luís Salvador (1875-1949), pai do actor Eugénio Salvador e com uma vasta produção para as artes do espectáculo, existe também um conjunto de maquetas, projectos e esboços para cenários e adereços de cena, que ilustram um período significativo desta arte, onde é notória uma fase claramente marcada pelo realismo naturalista em contraste com uma outra onde os ventos do modernismo e do futuro já se percebem.

Mas, tal como já acontecera com o figurino teatral, e apesar da persistência da estética naturalista ser mais forte na cenografia (chega quase aos nossos dias e, muitas vezes, não se trata apenas de uma opção estética – pode ter a ver com a falta de meios ou com o público a que se destina), é na segunda década do séc. XX que vamos assistir a uma incursão perturbadora daquela ordem instituída, uma vez mais encabeçada por Almada Negreiros. Este “fenómeno de contaminação” das artes do palco pelos artistas plásticos representantes das vanguardas estéticas, que surge um pouco por toda a Europa, e a intensa actividade daqueles artistas na cenografia contribui decisivamente quer para a definitiva renovação das artes do espectáculo, quer para o desenvolvimento de novos conceitos emergentes nas artes visuais em geral.

  Pormenor de maquete de cenário para 'Obra da Geração Humana',  [s.d.].  Autoria de Alice Rey ColaçoPormenor de maquete de cenário para 'Casa de Boneca' (não realizado),  [19--].  Autoria de Alice Rey ColaçoPormenro de maquete de cenário para a 'Peça dos 3 Autores',  [19--].  Autoria de Raúl LinoPormenor de maquete de cenário para a revista 'Feira da Luz', Teatro da Trindade, 1930.  Autoria Jorge BarradasPormenor de maquete de telão para o 'Monólogo do Vaqueiro', Teatro do Povo, 1936.  Autoria de Carlos BotelhoPormenor de maquete de cenário para 'Os 3 Desejos', Teatro do Povo, 1936.  Autoria de Carlos BotelhoPormenor de maquete de cenário para o bailado 'Titus e Berenice', Círculo de Iniciação Coreográfica, Teatro Nacional de São Carlos, 1949.  Autoria de Abilio Mattos e Silva


Peça emblemática deste período, integrada nesta colecção do Museu, é a maqueta de cenário para “A Princesa dos Sapatos de Ferro”, um bailado com música de Ruy Coelho (“o primeiro bailado escrito por um português), coreografado e com figurinos de Almada (que também dançava), estreado no Teatro de S. Carlos em Abril de 1918, logo a seguir à histórica presença dos Ballets Russes naquele teatro, desenhada e colorida sobre madeira prensada por José Pacheco (ou Pacheko) (1885-1934), pintor, desenhador e artista gráfico, também influenciado pelos Ballets Russes que, entretanto, vira em Paris, onde viveu. Ligado às principais manifestações do modernismo português, colaborou na Orpheu e na revista Contemporânea, sendo ainda fundador, com António Ferro, do Teatro Novo, em 1925.

Também participantes neste movimento renovador e representados nesta colecção são Alice Rey Colaço (1893- ? ), Raul Lino (1879-1974), Leitão de Barros ( 1896-1967 ), o pintor autodidacta de gosto modernista, artista gráfico, desenhador e cenógrafo António Soares (1894-1978 ) e Jorge Barradas (1894-1971 ), pintor e ceramista da primeira geração do modernismo e notável ilustrador.

Mas é o desenhador teatral José Barbosa (1900-1977) que impõe em definitivo, curiosamente através do teatro de revista, este novo gosto modernista na cenografia portuguesa, sendo o belíssimo e vasto conjunto de maquetas de cenário por ele concebidas existente nesta colecção um exemplo claro da história e da evolução da cenografia no nosso país e, em paralelo, da sua carreira artística de excepção.

São também deste período, apesar de seguidores de outros movimentos estéticos, o pintor Domingos Rebelo (1891-1971), mais próximo da inspiração realista do naturalismo e Eduardo Malta (1900-1967), retratista e desenhador de grande justeza formal, ambos com maquetas de cenário executadas para a Companhia Rey Colaço Robles Monteiro entre 1927 e 1940.

Também Maria Adelaide Lima Cruz (1908-1985), Frederico George (1915-1993), Emílio Lino, o modernista marginal Stuart Carvalhais (1887-1961) excepcional caricaturista e desenhador humorístico e António Amorim (1898-1964?) com trabalhos quer para aquela Companhia, quer para outras e outros teatros, estão representados nesta colecção.

Merece especial destaque o conjunto de maquetas para cenários e um projecto para telão executados no final da década de 30, para a primeira fase do Teatro do Povo, pelo pintor Carlos Botelho (1899-1982), um dos maiores artistas plásticos portugueses do séc. XX, notando-se nestes seus trabalhos as estruturas geométricas e, sobretudo, as cores suavemente doces e silenciosas que caracterizaram uma grande parte da sua pintura. Para o mesmo Teatro do Povo, mas para uma fase mais tardia, imaginou igualmente cenários o multifacetado Abílio de Mattos e Silva (1908-1985), bem como para outras Companhias, Teatros e outras artes do palco, sobretudo a dança, muito bem representado nesta colecção, como já acontecia nas duas anteriores.

Para o Grupo de Bailados Portugueses Verde Gaio existem cenários de Paulo Ferreira (1911-1999), pintor de grande sensibilidade estética que passa pela segunda geração do modernismo e caminha por áreas mais experimentais como o surrealismo e o abstraccionismo, Bernardo Marques (1898-1962), que se distinguiu como desenhador e ilustrador de enormes recursos, e, novamente, de José Barbosa.

Lucien Donnat (n. 1920), quem mais criou cenários para a Companhia Rey Colaço Robles Monteiro e Pinto de Campos (1908-1975) que pôs a sua imaginação transbordante ao serviço, sobretudo, do Teatro de Revista, estão também representados nesta colecção por um vastíssimo conjunto de maquetas de cenário que documentam a sua grande actividade artística.

De António Pedro (1909-1966), pintor, escritor, ensaísta, encenador, desenhador teatral, crítico, locutor da BBC, a quem se deve a ruptura com o modernismo português como um dos percursores do surrealismo, fundador do Teatro Experimental do Porto, existem duas maquetas de cenário.

                                          Pormenor de maquete de cenário para espectáculo não identificado, [19--]. Autoria de Alfredo FurigaPormenor de cortina de palco para 'D. Duardos e Flérida', Teatro Nacional de S. Carlos, 1984.  Autoria de António CasimiroPormenor de maquete de cenário/decor para 'Traduções', Teatro da Malaposta, 1995.  Autoria de António Casimiro

Alfredo Furiga (1903-1972)
, cenógrafo italiano de renome internacional, com formação técnica no Teatro Scala de Milão e com trabalhos nos principais teatros de ópera do mundo (Ópera de Roma, Fenice de Veneza, Arena de Verona, Covent Garden de Londres, Ópera de Sidney ou Teatro Colón de Buenos Aires, entre outros) vem para Portugal em 1946, uma espécie de asilo politico, onde permanece, contratado como cenógrafo residente do Teatro Nacional de S. Carlos e, mais tarde, também como professor do Conservatório Nacional, até 1970, ano em que regressa definitivamente a Itália. Durante esse longo período no nosso país, Furiga concebe cenários para mais de uma centena de óperas, da tradição italiana até à produção contemporânea, julgando-se que uma parte significativa de todo esse seu trabalho estaria perdida para sempre. Contudo, em 1997, este Museu consegue adquirir a um galerista particular de Roma, um vasto conjunto de maquetas de cenário desenhadas e pintadas por aquele artista a guache e aguarela em papel colado em tela armada em madeira, que ilustram quer a carreira de Furiga em Portugal, quer uma parte importante da história do Teatro Nacional de S. Carlos durante aquele período, e que constituem um dos núcleos de maior interesse desta colecção.


A uma geração posterior pertencem Francisco Relógio (1926-1997), pintor e cenógrafo, Rolando Sá Nogueira (1921-2002), pintor e desenhador e o arquitecto Mário Bonito (1921-1976), todos representados nesta colecção com interessantes projectos para cenários que ilustram ou complementam as suas carreiras artísticas e profissionais.


Dos contemporâneos, existem trabalhos dos desenhadores teatrais Mário Alberto ( n. 1925), Vítor André (n. 1937), Artur Casais (n. 1937), Octávio Clérigo (1933-2003), Hernâni Lopes (1928-1997), um vasto conjunto de maquetas de António Casimiro (n. 1934), que se distingue, no desenho teatral, sobretudo pela sua grande qualidade de cenógrafo e de criador e inventor de espaços e do pintor Pedro Calapez (n. 1953), um contributo da maior importância e da maior oportunidade da arte contemporânea para a produção actual do teatro no nosso país.

De referir ainda no núcleo de maquetas executadas em plano os cenários desenhados na década de 40 por Serra & Amâncio, uma parceria de cenógrafos profissionais, os cenários projectados em 1969 pelo actor Baptista Fernandes (1922-1996 ) para “Frei Luís de Sousa”, alguns dos cenários criados por Filipe La Féria (n. 1945) para “Passa Por Mim no Rossio” e os diversos trabalhos de cenografia desenhados e pintados por José Viana (1922-2003) que, para além de notável actor, manteve uma interessantíssima actividade como artista plástico paralela ao teatro mas com permanentes alusões a essa arte e com constantes interferências como desenhador teatral, actividade que foi, aliás, a que o iniciou no teatro, como maquetista do Parque Mayer, ainda antes de se tornar actor.

Esta colecção é completada com um segundo núcleo constituído por maquetas de cenário construídas a três dimensões (3D) e em escala (variável). Vastamente representados são Fernando Filipe (n. 1944), pintor, escultor e cenógrafo, sendo a esta última actividade que tem dedicado grande parte da sua carreira artística, criando cenários a partir de 1970 para teatro e dança, desde o Teatro Experimental do Porto, Teatro Estúdio de Lisboa, O Bando, Teatro Nacional D. Maria II até ao Ballet Gulbenkian e Serviço ACARTE da mesma Fundação, entre muitos outros, e José Manuel Castanheira (n. 1952), arquitecto, professor universitário, pintor e cenógrafo, que depois de um marcante conjunto de trabalhos cenográficos, iniciados em 1973, para, nomeadamente, Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria, Teatro da Caixa, Grupo de Teatro Hoje, Teatro Experimental de Cascais, ACARTE, Teatro Nacional D. Maria II e Companhia de Teatro de Almada, iniciou uma notável carreira internacional sendo hoje frequentemente chamado a trabalhar para os mais importantes teatros do Brasil e de Espanha.

Estão ainda representados nesta colecção a 3D os cenógrafos Baltazar Rodrigues (1895-1951), José Carlos Barros (n. 1944) e os pintores António Alfredo (1932-2000) e Emília Nadal (n. 1938).